por Tatiana Marques
Quem nunca sentou em uma roda de família, ou de amigos e ouviram seus tios, pais ou até mesmo seus amigos mais velhos falarem sobre a ditadura militar e o movimento estudantil. Um passado bem presente, alguns falam com certo orgulho das passeatas, das lutas, por incrível que pareça houve aqueles que gostaram da forma de governo, claro que em número bem menor.
Falo de um tempo em que o silêncio falou mais alto que a própria voz. Aqueles que mencionassem qualquer coisa que não fosse do interesse dos poderosos simplesmente não se viam mais, desapareciam como a água que evapora; estou falando de um tempo que não se podia ter desejo, nem opinião, éramos apenas mais um na multidão, sem a essência do ser humano que deseja, do desejo nasce uma ação, e da ação a uma mudança, e da mudança a democracia.
Mas neste mesmo tempo de repreensão, houve aqueles que arriscaram de peito aberto, não fecharam a boca e a voz ecoava, era uma farpa no dedo daqueles que detinham o poder, que saia nas ruas em busca da sua liberdade de expressão, que não se deixava por vencidos, corria riscos que fosse, lutaram bravamente, mesmo que para isso tivessem que ficar alguns dias na prisão. Algo tinha que ser feito.
Estou falando daqueles que foram exilados para não serem mortos, que perderam companheiros de luta, estou falando de nada menos do que o movimento estudantil.
Há hoje poucos movimentos estudantis, mas não com a intensidade daquela época. Quem dera pudesse existir nos dias atuais movimentos como aqueles, para lutar pelo nosso país, por um futuro melhor, e para um país digno de se viver.
segunda-feira, 1 de setembro de 2008
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