quinta-feira, 28 de agosto de 2008

O DCE e sua importância na mobilização estudantil

por Leonardo Passos

O DCE (Diretório Central dos Estudantes) é um instrumento de representação dos alunos onde se debate assuntos referentes à vida estudantil e defender o direito a uma infra-estrutura necessária a se ter uma qualidade de ensino melhor. Tem como papel principal, junto com os C. A’s (Centros Acadêmicos), é discutir, debater, estudar, definir e lutar pelos interesses do conjunto de estudantes da Universidade: a qualidade do ensino e a saúde da Universidade expressa no crescimento e no caráter educacional da instituição.
O Diretório representa o corpo discente na reitoria e nos governos, levando suas reivindicações, propostas e idéias. E também é por meio dele que os estudantes devem dar sua contribuição para conquistar uma sociedade mais justa e promover a integração dos alunos da universidade, pondo em contatos idéias, trabalhos, pessoas e experiências de todo o universo estudantil. É através do DCE, que o estudante pode garantir com força seus direitos, primar pela qualidade de ensino, por mensalidades justas e pelo respeito à classe estudantil.
Com o objetivo de defender exclusivamente os interesses dos estudantes, lutar por propostas que visam melhorar o dia-a-dia dos estudantes da instituição, criar uma política cultural efetiva que contemple as mais diversas manifestações artístico-culturais e que o DCE torna-se um canal central de comunicação efetivo entre os alunos da instituição. Enfim, tem uma grande importância, e em alguns momentos da história do movimento estudantil ele foi importante para defender os interesses dos estudantes nos regimes autoritários de alguns governos e reitores de instituições de ensino, visando sempre uma qualidade no ensino.

quinta-feira, 21 de agosto de 2008

Breve história do Movimento Estudantil

Por Priscilla Vasconcelos

O movimento estudantil universitário, no Brasil, tomou força a partir do final da década de 50 e tornou-se um importante fator político nos anos 60 e 70. Grandes quantidades de estudantes aderiram ao movimento, que tinha como principal objetivo expressar opiniões e reivindicações por meio de protestos.
Com essa voz ativa, capaz de persuadir as massas estudantis, o movimento crescia expressivamente, atingindo e influenciando, de forma direta, a política brasileira. Acelerou de forma exponencial o surgimento e a expansão de universidades e faculdades, contribuindo, também, para o crescimento intelectual do país.
O discurso dos líderes do movimento estudantil era, então, baseado na ideologia marxista. Com essa visão esquerdista, os estudantes saíram em busca de melhorias para o sistema de ensino superior. O início da década 60 foi marcado por uma das mais importantes reivindicações do movimento: a Reforma da Universidade.
Em 1964, com o golpe militar, o movimento estudantil foi fortemente reprimido. Desse modo, os protestos contra os governos militares foram o principal foco do movimento. A coerção política desarticulou o movimento, jogando na ilegalidade os DCEs (diretórios centrais estudantis), as UEEs (uniões estaduais dos estudantes) e a UNE (união nacional dos estudantes).
Na década de 70 houve uma reestruturação do movimento estudantil. No entanto, as reivindicações de caráter político foram as mais expressivas. Nos ano de 1992, os caras-pintadas foram às ruas das grandes cidades do país para protestar contra o governo de Fernando Collor de Mello. Aquele foi o último movimento estudantil significativo, da história do país.
Atualmente, parece que os jovens universitários desconhecem sua força e não se preocupam nem com a qualidade do ensino e nem com o futuro político da sociedade brasileira. As faculdades manipulam os alunos e os fazem reféns de uma situação que beneficia somente a elas próprias. Ao aluno apático resta abaixar a cabeça e digerir toda reclamação que porventura tenha para fazer.
É necessário que a comunidade dos estudantes universitários tome consciência de sua força e se organizem para saírem em defesa de seus próprios interesses. Somente dessa forma a força do movimento estudantil voltará a interferir de maneira significativa, tanto nas questões do ensino superior, quanto nas decisões políticas do país.

UNE e a luta pelos estudantes

por Gicele da Silva

A união nacional dos estudantes (UNE) é a principal entidade estudantil brasileira, fundada em 1937. É representada por estudantes do ensino superior e têm sede principal em São Paulo e sub-sedes no Rio de Janeiro e Goiás.
De acordo com a União da Juventude Socialista, um grupo organizado que encabeça a direção majoritária da entidade, afirma que a UNE é a maior promotora atual de mobilização estudantil.
O objetivo da UNE é discutir propostas para o desenvolvimento do Brasil na questão da educação. Mobilizar os jovens na procura de seus direitos, resgatar e trazer ao público o conhecimento de vários aspectos importantes.
A UNE mantém o portal Estudante Net, é um canal privilegiado de informações para os jovens. O foco é repercutir e fazer com que os estudantes participem das principais discussões a respeito da sociedade brasileira. A UNE foi responsável por grandes conquistas do direito dos estudantes, como: carteirinha estudantil e meia-entrada. E maior prova de mobilização aconteceu em 1992. Com a força os estudantes ultrapassaram os limites da sala de aula e saíram às ruas no Impeachment do Presidente na época, Fernando Collor.
Apesar de muitas dificuldades a UNE vem se superando a cada dia. E nós, como estudantes devemos nos unir e lutar pelos nossos direitos e por nossos ideais.

Site: http://www.une.org.br/

terça-feira, 19 de agosto de 2008

Politização dos Estudantes

por Elionardo Lunas

Como o termo politização não se quer falar de "partidarização". Seria mesmo ilógico que cada universidade ou faculdade se filiasse a um partido político. A intenção é criar nos atores do processo educativo a consciência de um direito socialmente engajado, comprometido com a realização da democracia e dos direitos humanos. Ou seja, usar a educação como mola propulsora para despertar em cada estudante a importância de criticar e opinar sobre discursos que os políticos usam para se eleger.
Os países que mais cresceram nas últimas décadas conseguiram isso por investirem na educação. Por isso, a educação deve funcionar como instrumento que realmente permita os estudantes a pensar sobre a realidade nacional e se posicionar quanto a ela. E sendo isso realizado na prática, a politização acontecerá naturalmente.
Mas vale lembrar que, o exercício da troca de idéias, da percepção, diferença de pensamentos e da pluralidade de alternativas para a solução dos problemas deve começar desde cedo em nossas escolas.

O Movimento estudantil de 68

por Raimundo de Menezes

Por que o ano de 1968 foi tão emblemático? O mundo todo vivia em convulsão, em vários aspectos. As utopias criadas em 68 podem não ter se realizado, mas, mudaram para sempre a forma como encaramos a vida. Para José Dirceu, que naquele ano foi um dos protagonistas, acredita que " Se a juventude, e não a repressão, tivesse vencido, o Brasil teria avançado mais rapidamente nas reformas democráticas".
O movimento dos estudantes franceses em maio de 68, resumiu o espírito inconformista daquela geração, e por isso, influenciou os estudantes brasileiros na maior manifestação de protesto, chamada de " A Passeata dos 100 mil", na avenida Rio Branco no Rio de Janeiro, comandada pelo líder estudantil, Wladimir Palmeira, contra a ditadura militar.
O 68 brasileiro foi diferente por uma razão simples. Aqui ele tinha o viés mais político que na França e nos Estados Unidos, países que também viviam em erupção. N o Brasil, os contestadores do regime sofreram torturas e exílio. Nos Estados Unidos, havia o sentimento de que era preciso mudar a estrutura da sociedade, mas não necessariamente o governo.
E na França, os movimentos de revolta começaram com a exigência do dormitório misto nas universidades. Resultado: Se não tiveram força para revolucionar o cenário político do mundo, os ventos que sopraram em 68 deixaram marcas profundas no comportamento, na vida cultural e nos valores da sociedade.

domingo, 17 de agosto de 2008

Os passos para a criação do C.A

por Yann Victor

Criar um Centro Acadêmico é um pouco burocrático, mas vale a pena. A primeira medida é pedir o apoio da instituição de ensino. Apesar da instituição não ter obrigação, ela pode ceder um espaço dentro do campus para sediar o Centro Acadêmico e ajudar financeiramente na sua manutenção.
A lei nº 7. 395 de 1985, “assegura aos estudantes de nível superior o direito à organização de Centros Acadêmicos com suas entidades representativas”.
Para criar uma representação estudantil na sua Universidade, siga os passos a seguir:

1 - É preciso que a maioria dos alunos apóie a criação do Centro Acadêmico.

2 - Deve-se convocar uma assembléia geral, aberta a todos os alunos interessados, e nela definir uma comissão representativa que será encarregada de iniciar os trabalhos.

3 - A comissão deve se reunir e criar as regras que regerão o funcionamento do C.A. Este estatuto deverá ser votado pela assembléia geral.

4 - A comissão deve organizar as eleições, permitindo o registro de chapas, divulgando o processo eleitoral e sendo responsável pela apuração dos votos.

5 - No dia determinado para a posse da diretoria executiva, deverá ser escrita a ata de posse. Uma vez assumido o mandato, a chapa pode alterar o estatuto desde que as alterações sejam aprovadas em assembléia geral.

6 - É muito importante registrar toda a documentação do C.A em cartório e reconhecer firma de todos os diretores eleitos. É preciso comprar um livro-ata para registrar os assuntos em reunião.

7 - Depois de tudo isso feito, é manter a união dos estudantes e fazer valer os direitos dos alunos nas decisões da Instituição.

Quinze anos que os estudantes brasileiros exigiram justiça!

por Débora Mattos Borges

Um dos movimentos estudantis que a maioria de nós lembramos é do impeachment do ex- Presidente Fernando Collor de Melo. A colaboração dos estudantes de todo o Brasil foi fundamental para o afastamento do presidente naquela época.
Tudo veio à tona quando o presidente Fernando Collor comemorou seu aniversário de 43 anos com a participação de vários artistas conhecidos. Quando todos de seu partido e família pensavam que a população brasileira havia esquecido os escândalos que ele e seus comparsas estavam envolvidos, os estudantes caras-pintadas, que levavam esse nome em referência às pinturas de seus rostos, saíram por todo o país com o apoio da União Nacional dos Estudantes (UNE), exigindo o impeachment com o slogan “Fora Collor!”. Essas passeatas começaram no dia 16 de agosto de 1992.
De acordo com a opinião de diversos sociólogos e cientistas políticos, foi essa mobilização estudantil, reforçada com a participação da sociedade civil organizada e pelos meios de comunicação, que ocasionou o impeachment do presidente. Como estavam insatisfeitos com os rumos do governo, eles fizeram ecoar seus direitos de cidadãos e exigiram a ética na política.