sábado, 6 de setembro de 2008

Bullying é uma violência

por Laiz Marinho

" Aos Dezesseis anos de idade precisei abandonar os estudos para fazer tratamentos, fui dada como caso perdido e nem sabia se iria durar até o fim do ano. Sofri bullying durante vários anos em diferentes escolas, tive uma depressão profunda mal diagnosticada que resultou em internação psiquiátrica e quase custou minha vida. Mas resisti! E hoje estou aqui(...),"
Esse é o relato da gaúcha Daniele Vuoto,22, que sofreu e quase morreu por conta do Bullying. Hoje ela é estudante de pedagogia, noiva e dona do blog "No more Bullying Brasil", onde troca idéias, conscientiza e ajuda quem tem ou sofreu com o problema.
O Bullying é uma palavra de origem inglesa que significa todas as formas de atitudes agressivas, intencionais e repetidas, que ocorrem sem motivações evidentes, adotadas por um ou mais estudantes contra outro ou mais de um. Esse tipo de atitude é a conhecida descriminação dentro da sala de aula e é associado à violência nas escolas e pode ter efeitos irreversíveis como a morte.
É uma ação que ocorre em todos os lugares do mundo, mas começou a ser pesquisada e observada com os trabalhos do professor universitário, Dan Olweus, na Universidade de Bergen, na Noruegua, que teve início na década de 70. O que chamou a atenção do professor foram suas investigações nas escolas sobre os problemas entre os agressores e suas vítimas e a indiferença das instituições em relação aos acontecimentos. Na década de 80, as coisas se agravaram, três jovens entre 10 e 14 anos cometeram suicídio. Esses acontecimentos alertaram as instituições de ensino para o problema.
Mas, mesmo depois de anos de pesquisa e programas de prevenção, ainda não foi possível conter atitudes perigosas que já ocasionaram a morte de vários jovens em todo o mundo.Um exemplo desastroso de Bullying foi o Massacre de Columbine, em abril de 1999, nos EUA. Dois jovens de 17 e 18 anos entraram na escola que estudavam, mataram 13 pessoas e depois se suicidaram. As questões que motivaram o desastre foram à rejeição e as chacotas que alguns colegas faziam em razão das roupas que usavam e do comportamento que os alunos mantinham dentro da escola.
Os jovens tinham sido presos um ano antes do atentado, por arrombamento de um carro e furto de equipamentos eletrônicos do veículo. Foram condenados a prestar 45 horas de serviço comunitário, além de fazer um tratamento psicológico destinado a pessoas que cometem pequenas infrações. Juntando todos esses fatores e os problemas psicológicos que eles já passavam, o inevitável aconteceu. Culpa de quem? Dos pais que não prestaram a atenção? Da escola?
O último levantamento da ABRAPIA (Associação Brasileira Multiprofissional de Proteção à Infância e à Adolescência), em 2002, envolvendo 5875 mil alunos de 5° a 8° série, de onze escolas do município do Rio de Janeiro, revelou que 40,5% estavam envolvidos diretamente com o Bullying , sendo que 16,9% eram alvos, 10,9% eram alvos/autores e 12,7% autores.
Em agosto deste ano, uma escola particular em Ceilândia-DF, foi condenada a pagar 3 mil reais para a família de um garoto de 8 anos, que sofria com o Bullying. De acordo com a mãe, ele era humilhado e agredido por colegas de turma, e chegava em casa com vários hematomas. A mãe começou a desconfiar quando o filho não queria mais ir à escola. Ao perceber que a situação era crítica procurou os responsáveis pela escola e avisou do problema. Mas a criança continuou sendo agredida.A mãe, então, processou a escola.
Alguns ícones nacionais e internacionais já sentiram na pele o que é ser humilhado por colegas de turma. O rei do rock Elvis Presley, não era bem visto pelos colegas por ser superprotegido, tímido, usava umas roupas coloridas e um cabelo estranho. A maior top model de todos os tempos, Gisele Bundchen, aturava piadinhas sobre o seu nariz e a sua magreza. A atriz Aline Moraes foi apelidada de bocão. O ator Tom Cruise era discriminado por ser disléxico.
Esses são alguns exemplos de superação, mas existem pessoas que não conseguem ajuda para superar o problema e acabam "explodindo", muitas se suicidam ou planejam uma vingança, como foi o caso do Massacre de Columbine.

Nenhum comentário: